Diário de um Cinéfilo - Arquivo

sexta-feira, setembro 13




LED ZEPPELIN - THE SONG REMAINS THE SAME

No sábado fui para uma feijoada com uísque na casa do Santiago e me deliciei com o som e as imagens do DVD THE SONG REMAINS THE SAME da então melhor banda do mundo Led Zeppelin. Geralmente bebida não combina com filmes, mas nesse caso, existe uma excessão. Além do mais, ao ouvir o som do Led, dá uma vontade de tomar todas...(Não que eu tenha feito isso).

A exemplo de musicais como A HARD DAY´S NIGHT ou HELP, dos Beatles, esse filme traz uma história meio sem sentido apenas para rechear o filme com algo diferente do que seria apenas um show. Os roteiristas estavam mesmo viajando na maionese, mas depois que o Led começa a tocar, quem liga pra essa história? Nesse filme explicitam-se as referências a"O Senhor dos Anéis", que aparecem nos "clips" de canções como "The Rain Song" e "Stairway to Heaven". As imagens de "The Rain Song" são belíssimas e eu tava comentando com o Santiago que antes de ver esse filme eu já tinha criado a imagem em minha cabeça de uma pessoa galopando em cima de um belíssimo cavalo ou então de voar junto com uma ave de rapina em uma floresta misteriosa. Só que a canção que me fazia criar essas imagens era "Imigrant Song", do disco III, que traz a voz de Robert Plant, meio que imitando uma águia, enquanto que a guitarra e a cozinha da banda, simulavam o som e o ritmo veloz de um cavalo. Uau!!! Viagem, velho.

O engraçado é que a gente ficava falando que o Jimmy Page tinha parte com o demônio e que "Stairway to Heaven", de trás pra frente traz mensagens satânicas e a mulher do Santiago ficava com medo..Hehehe.

E outra coisa. Vcs não notaram que a trilogia Star Wars é inspiradíssima em "O Senhor dos Anéis"? Os cavaleiros negros se vestem com roupas parecidas com a de Darth Vader, usam espadas parecidas, o último volume se chama "O Retorno do Rei"(parece com O RETORNO DE JEDI, não?). No filme do Led, tem uma cena que é a cara da luta entre Luke Skywalker e seu pai. Até o traje branco do Jedi!!! e olha que o filme é de 1976. Será que George Lucas homenageou ou plagiou a obra do Tolkien?

O ESCORPIÃO ESCARLATE

Filme do Ivan Cardoso é sempre divertido e cheio de referências pop, além de quase sempre mostrar mulher pelada nos filmes. O que mais a gente quer? Hehehe. Nesse filme, Andréa Beltrão é uma moça viciada em ouvir as aventuras do Anjo, super-herói do rádio dos anos 40 (ou 30?). Naquele tempo, não tinha televisão e a dramaturgia no rádio era muito comum. O Anjo é interpretado por Herson Capri, e o seu grande inimigo é o Escorpião Escarlate, um sujeito encapuzado. As coisas correm normalmente até que um sujeito começa a imitar os crimes do Escorpião Escarlate. Recheando tudo isso, temos um strip-tease com a Roberta Close, a Isadora Ribeiro nua, participações especiais de Tião Macalé (NOJENTO!!!) e Wilson Grey. E a música tema é bem legal.

UMA DUPLA DESAJUSTADA (THE SUNSHINE BOYS)

Se a Fernanda não tivesse me falado sobre a versão pra televisão com o Woody Allen, e se o Renato não tivesse apontado Neil Simon como um grande dramaturgo, esse filme passaria desapercebido por mim. Eu nem teria assistido. O engraçado é que mesmo nos anos 70, Walter Mattau já estava velho. Nos anos 90 então, o velho já tava movido a formol. Pra falar a verdade, não gostei muito desse filme não. Acho que o que tem o Woody Allen e o Peter Falk deve ser mais engraçado. Nesse filme, Walter Mattau e George Burns são dois velhinhos que trabalharam juntos a vida inteira repetindo um quadro cômico e que no fim da vida, tem que fazer uma outra apresentação para um programa de tv. Acontece que os dois não se aturam e é cada um mais abusado e esclerosado que o outro. No final, sentimos uma pontinha de melancolia. O fim da vida é necessário, mas que é cruel, isso é.

20/08/2001


O DIÁRIO DE BRIDGET JONES (Bridget Jones´s Diary)

Esse serve como bom passatempo, mas só isso. Achei que fosse melhor, já que ele recebeu só críticas positivas nos Estados Unidos. Os americanos andam mesmo se conformando com pouca coisa. Uma coisa que me incomoda é ver mulher desengonçada. Mulher pra mim tem que ser elegante, glamourosa, gostosa e se for fazer palhaçada, tem que fazer com classe, como a nossa amada Cameron Diaz. Renee Z~&%$## (não me lembro como se escreve o sobrenome da moça) é uma mulher de trinta e poucos anos que é meio uma loser. Não consegue arranjar namorado e não é bem-sucedida profissionalmente. O filme começa com ela escutando a canção "All By Myself", numa versão bem açucarada, e chorando ridiculamente. Ela se apaixona pelo chefe (Hugh Grant), que é meio canalha, ao mesmo tempo que tem outro sujeito na história que fica interessado na moça. Cheio de canções manjadas, e clichês batidos, esse filme nem chega aos pés de QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL ou mesmo de NOTTING HILL.

MEMÓRIAS PÓSTUMAS

Acho que tô ficando tão enjoado quanto o Inácio Araújo. Heheh. Esse filme é legal, mas é legal porque é uma adaptação do livro do grande Machado, e não pelos seus próprios méritos. Uma pergunta: porque foram dar um kikito de atriz coadjuvante para a Sonia Braga nesse filme? Sua participação é ridícula. E o que é pior, ela interpreta a linda Marcela, o primeiro amor de Brás Cubas. E ela está feia. Pode isso? Foi-se o tempo que a Sonia Braga era bela. O tempo é cruel. Destrói as coisas belas do mundo, como se pra mostrar pra gente que tudo isso é mesmo passageiro, e que devemos nos apegar a coisas que não morrem. (Ops, acabei fugindo do assunto do filme.) Mas apesar de tudo, MEMÓRIAS PÓSTUMAS é um dos melhores filmes brasileiros dos últimos tempos. Não é tão bom quanto AMORES POSSÍVEIS (o melhor filme nacional do ano, até agora), mas ficaria em segundo lugar. O Brás Cubas jovem é muito bom, as escolhas das cenas retiradas do livro foram muito felizes(não deixaram de fora a cena da borboleta preta), tem o Quincas Borba, o fantasma do filme, Reginaldo Faria, também está muito bom. É...Pensando bem, esse é um filme bem legal.

A SENHA(Swordfish)

O começo desse filme impressiona. Utilizaram aquela câmera especial de MATRIX (sei que já não é novidade, até em clipe do Leonardo eles já usaram essa teconologia) numa sequencia de explosão espetacular. O filme começa pelo climax e depois retrocede quatro dias antes daquilo. As primeiras palavras de John Travolta no filme são a respeito de filmes. Ele comenta que Hollywood só faz merda (será que esse filme é mais uma? - eu pensei). Os filmes são bem moralistas. Comenta o filme UM DIA DE CÃO, de Sidney Lumet. Diz que essa foi a melhor atuação de Al Pacino, tirando, é claro, O PODEROSO CHEFÃO e SCARFACE. Fala que a direção do filme é excelente, as atuações são impecáveis, as sequencias de tensão são do caralho, mas o filme tem um problema: é moralista. Por que os vilôes não saem ilesos nos filmes policiais? Ele é meio suspeito, já que ele é o vilão da história e está com um monte de reféns amarrados a bombas em um grande banco. Além de um John Travolta boçal (eu adoro ver ele assim nos filmes..heheh), um Hugh Jackman bem legal, e a gostosa morena Halle Berry atiçando os pobres espectadores, o filme ainda tem tem outras sequencias de ação bem legais, como a do ônibus içado por um helicóptero e outras sequencias de perseguição de automóveis. Pode ser mais uma picaretagem de Dominic Sena, mas que engana, engana.

20/08/2001

quinta-feira, setembro 12


COISAS QUE VOCÊ DIZ SÓ DE OLHAR PARA ELA (Things You Can Tell Just by Looking at Her)
TREZE DIAS QUE ABALARAM A TERRA (Thirteen Days)


Os filmes que vi no Sábado e Domingo foram "Coisas que você diz só de olhar para ela", de Rodrigo Garcia e "13 dias que abalaram a terra", de Roger Donaldson.

Este último, trata-se de um dos filmes mais chatos que eu já vi esse ano. É mais chato que "Tomb Raider", ainda que não seja tão ruim. Pra começar, não curto muito filmes políticos, mas depois que eu saí desse filme fiquei pensando comigo: O Oliver Stone é ótimo, cara. Ele fez um filme político de 3 horas de duração (JFK), e não me deixou entediado ou olhando para o relógio. JFK é empolgante, instigante e tem um assunto fascinante – uma teoria de conspiração em torno da morte de Kennedy. Esse é como notícia de jornal daqui. Eles ameaçam com apagão e feriadões, mas tudo não passa de susto. O filme é mais ou menos assim: 13 dias de uma rixa entre Estados Unidos e União Soviética(junto com Cuba) que poderia ter levado a uma terceira guerra mundial. Poderia, mas a gente sabe que não aconteceu. E que graça tem nisso? Poderia até ser bom se não fosse entregue nas mãos de um diretor sem personalidade como esse Roger Donaldson.

Mas falemos de coisas boas. A estréia na direção do filho do grande escritor Gabriel Garcia Marquez é um achado!!! E ele começou logo com um super-elenco – Glenn Close, Cameron Diaz, aquela atriz que faz a Ally McBeal, Holly Hunter, Valeria Golino e outras menos célebres, mas que no filme também estão brilhantes. São cinco histórias contadas quase que independentemente, mas que não perdem a coesão diante da obra completa. As histórias:

Glenn Close é uma mulher triste e sozinha que sente que sua vida vai mudar pra melhor e chama uma cartomante para lhe contar o seu futuro;
Uma mulher que fica encantada por um anão!!!;
Uma gerente de banco (Holly Hunter) que se obriga a fazer um aborto (triste);
A cartomante da primeira história é uma lésbica e vive com a namorada doente de leucemia;
Cameron Diaz (linda!!) é uma garota cega que depois de um bolo de um namorado entende o porque de uma mulher ter se suicidado. (Emocionante, meus amigos!!)
Depois disso eu pensei: dois dos melhores filmes que eu vi esse ano são de diretores mexicanos. Esse (a produção é americana) e o "Amores Perros". É o cinema latino mostrando o seu valor para o mundo. Viva Mexico!!

Ah, e durante a projeção fiquei pensando se Rodrigo Garcia poderia dirigir um super-longa-metragem da adaptação de "Cem anos de Solidão", a obra-prima de seu pai. Podem crer, eu ficaria animadíssimo. Mas vai ver que o estilo do filho (mais intimista) não combina muito com o tom épico dos Cem anos.

Segmentos:
"This is Dr. Keener" - Glenn Close
"Fantasies About Rebecca" - Holly Hunter
"Someone For Rose" - Kathy Baker
"Goodnight Lilly, Goodnight Christine" - Calista Flockhart
"Love Waits for Kathy" - Amy Brenneman e Cameron Diaz

06/08/2001


DE REPENTE, NUM DOMINGO (Vivement Dimanche!)

No sábado fui ver "De repente, num domingo" ("Vivement Dimanche!"), de François Truffaut e custei a acreditar que aquele filme é mesmo de 1983. Parece tão envelhecido. Talvez isso tenha sido de propósito, já que o filme é uma homenagem aos filmes noir americanos e aos filmes de Hitchcock, só que com uma pitada de deboche. Aliás, depois dos anos 60, todos aqueles filmes anteriores adquiriram um ar bem antiquado, ainda que não percam o seu valor, sendo, até então, parodiados à exaustão. "De repente, num domingo", mostra um assassinato logo no início do filme. O sujeito que morreu, por acaso, é amante da mulher de Jean-Louis Tritgnant (aquele velho de "A Fraternidade é Vermelha"). Por causa disso e por mais uma série de outras razões, o sujeito é tido como principal suspeito da morte do outro. Ele trabalha numa imobiliária e tem como secretária uma Fanny Ardant cheia de vitalidade e disposta a investigar o crime. A trama é tão cheia de detalhes que eu fiquei confuso e até desisti de tentar entender. O filme, apesar de ter uma explicação no final, não é tão generoso para espectadores com preguiça de pensar (como eu, naquele dia).

Esse é o quinto filme de Truffaut que eu assisti, depois de ver "A Noite Americana", "Jules et Jim", "A Mulher do Lado" e "O Último Metrô". O meu preferido e, pra falar a verdade, o único que eu gostei de verdade (muito mesmo) foi "Jules et Jim", grande filme de 1960. Bacana.

QUEM É ESSA MULHER? (One Night at McCool´s)


Por falar em "homenagens" ao velho cinemão americano, o último filme com a Liv Tyler("Quem É Essa Mulher?") traz referências explícitas a filmes como "The Bad and the Beautiful", de Vincent Minelli e "Citzen Kane", de Welles. Não precisa dizer que ele não passa nem perto desses filmes. É só uma comédia rasteira que se sobressai das outras mais recentes, por ser menos idiota. Pelo menos, tem uma estrutura um pouco mais complexa. Já a Liv Tyler, está como eu temia: gorda. E para os tarados de plantão (alô, Fabrício!), nem mesmo seus breasts aparecem. O filme explora a beleza da moça até não querer mais. Imagine se ela tivesse nos bons tempos ("Beleza Roubada")... O filme ainda tem Matt Dillon, John Goodman e Michael Douglas no elenco. Aliás, esse último está com um look bem seboso. Mas o filme até que é divertido...

UM TIRO PARA ANDY WAHROL (I Shot Andy Wahrol)

O melhor filme do fim de semana, eu vi na tv. Ontem assisti "Um Tiro para Andy Wahrol"(I Shot Andy Wahrol), de Mary Harron. Filme legal. Conta a história da doida que quase matou o "papa do Pop". Lily Taylor faz uma lésbica doidona que pagava a faculdade trabalhando de prostituta, enquanto nas horas vagas escrevia teorias loucas sobre a inferioridade da raça masculina e a superioridade biológica das mulheres. Segundo ela, o Y no cromossomo dos homens é um defeito genético e, no futuro, as mulheres não precisarão dos homens nem mesmo para procriação.

Sobre isso vi uma teoria interessante de Rajneesh que também dizia algo parecido. Ele dizia que o mundo precisa mais de mulheres do que de homens. É por isso que existem mais mulheres. Para procriação, só é necessário um homem e várias mulheres. O homem é mais inconformista com as coisas do mundo, enquanto a mulher é mais do mundo. Por causa do homem, surgiram as guerras, criaram-se as drogas e a humanidade se acostumou com o consumo do álcool. Por outro lado, por causa dele, e de sua inconformação surgiram as artes, a religião e qualquer outra "fuga" da realidade, das coisas do cotidiano. Bem, já faz algum tempo que li esse livro, e tenho certeza, que o próprio Osho é mais convincente em defender as suas idéias.

Voltando ao filme sobre Andy Wahrol, por acaso, algum de vcs já viu algum dos filmes que ele dirigiu? Dele, lá em casa, eu só tenho a capa do disco de Velvet Underground and Nico. O famoso disco da banana. Wahrol fazia filmes experimentais muito loucos, bem adequados para serem vistos sob o efeito de drogas. Tem um filme por exemplo, de quatro horas de duração, que ele mostra um rapaz comendo cogumelos. Imaginem só: quatro horas vendo um sujeito comendo cogumelos!!!!! Hehehehe. É muita viagem! Tem outro filme que tem uma câmera focalizando um prédio o dia inteiro. Ô louco. Mas parece que os últimos filmes dele não são tão experimentais, tem uma estrutura mais convencional, digamos assim.

30/07/2001

quarta-feira, setembro 11


SETEMBRO (September)

Desde ontem que eu ando querendo escrever alguma coisa sobre SETEMBRO do Woody Allen, mas não tive tempo. Vamos ver se sai alguma coisa agora. (Tenho a impressão que estou enchendo o saco da turma que não aprecia o neurótico..hehehe)

SETEMBRO não é um filme, quando visto nas prateleiras da locadora, tão atraente pra vc alugar. Tanto é que eu sempre via a fita por lá e acabava não levando. Acho que é por causa da Mia Farrow. Mas essa minha cisma não tem razão de ser, já que SETEMBRO é mais um belo trabalho de Woody "Bergman" Allen.

O filme mostra mais uma ciranda de amores e desamores que Allen tanto já mostrou em outros filmes(MANHATTAN, SONHOS ERÓTICOS NUMA NOITE DE VERÃO, HANNAH E SUAS IRMÃS, só pra citar alguns). Nesse filme, Mia Farrow é uma mulher dessas bem deprê apaixonada por Sam Waterston. Acontece que Waterston é apaixonado por Dianne Wiest, uma mulher casada. Ela sente atração por ele, mas quer resistir por ser casada e ter filhos. E também por saber o quanto Mia ama o rapaz. Já Denhom Elliot é um senhor de idade que é louco pela Mia. Ela não quer. Junte todo esse pessoal numa casa e acrescente a mãe de Mia, uma mulher que vive querendo se comunicar com os mortos, e seu novo marido. O outro havia morrido de um tiro. Só no fim do filme é que a gente vê mais alguns esclarecimentos sobre a morte do sujeito. Como sempre a direção de atores é impecável, as atuações são magníficas (a interpretação de Mia Farrow é a melhor que eu já vi num filme de Allen), e o clima meio Tenessee Williams é bem dosado.

É quase impossível não lembrar de INTERIORES (1978). Só que no filme de 1978, as atuações são mais sutis, contidas. Nesse, vemos um final em que uma Mia Farrow explode em ver tanta desgraça e desapontamento em sua vida. (Grande Mia. E eu que andei falando mal dela nesses últimos dias aqui na lista. ) Outra diferença: INTERIORES é mais bonito plasticamente, é mais bem cuidado no que se refere `a fotografia e ao cenário, ainda que em ambos o cenário se limite a apenas o interior da casa.

Grande filme, mas só um ano depois, em 1988, Allen iria cometer a sua obra-prima bergmaniana: A OUTRA. O filme que me fez acreditar que ALLEN é tão grande quanto Bergman, quando ele quer dissecar as angústias da humanidade.

24/07/2001


DOMÉSTICAS, O FILME

Ontem, como tinha ganhado um ingresso pra ver o filme "Domésticas", resolvi ir lá conferir. Mas sabe qual foi a impressão que eu tive? Que era um filme preconceituoso, feito para as classes mais favorecidas (que é quem atualmente vai ao cinema) rir das empregadas domésticas, tratadas sempre no filme como idiotas e feias, dignas do riso. Custou a mim me acostumar com isso durante a projeção. Nos anos 70 e 80, as classes mais pobres podiam ir ao cinema. Agora, com o preço do ingresso, nem pensar. Até os analfabetos iam ao cinema ver filmes nacionais nesse período. (Sim, eu sei que queriam ver a Sonia Braga nua, mas já é um bom motivo.)

Hoje o que é resta para essa classe desfavorecida? Ser tratada como um estereótipo vulgar. Sei lá. Talvez eu esteja errado, talvez os diretores do filme tenham tido até um olhar mais carinhoso para com as domésticas. Mas precisava mostrá-las tão estúpidas e feias? Saí do cinema de saco cheio de ver gente feia. É claro que eu não resisti e dei umas boas risadas. O momento em que eu acabei me soltando um pouco começou quando uma empregada, com aquele sotaque, provavelmente nordestino (outro estereótipo), fala pra outra: "Sit down, please. É que eu tô fazendo curso de inglês...".

Mas no geral, não gostei não. E essa história de distribuir ingressos grátis pra ver filme nacional é muito louvável, mas acho que podiam ter escolhido um filme melhor. Assim, as pessoas iam querer ver outro filme brasileiro, assim que pudesse.

É dose.

17/07/2001



O DORMINHOCO (Sleeper)

"Sleeper" é um dos mais fracos filmes de Allen mas ainda assim vale a pena a conferida. Nele, Allen faz o papel de um homem que é congelado e acorda 200 anos no futuro. Tem passagens engraçadas como aquela em que ele tem de fingir que é um robô. Tem outra tirada legal: Diane Keaton pergunta pra ele: "É verdade que vc passou 200 anos sem transar?" Ele responde: "206. Eu tava casado antes de me congelarem". Esse é o primeiro filme da fase Diane Keaton.

Aliás, eu costumo dividir a filmografia de Allen assim:
- Fase pré-Diane Keaton - os filmes menos cerebrais e de humor mais visual. Destaque para "Everything you Always Wanted to Know About Sex(but were afraid to ask)";
- Fase Diane Keaton - nesta fase, delineia-se uma sofisticação intelectual nas comédias. Dessa fase saíram obras-primas como "Annie Hall" e "Manhattan";
- Fase Mia Farrow - Allen exercita mais sua faceta bergmaniana. Os melhores filmes dessa fase são: "Hannah and Her Sisters", "Another Woman" e Husbands and Wives". A fase mais amarga de Allen;
- Fase pós-Mia Farrow - Considero esta a melhor fase de Allen. Ela se inicia com o alto astral de "Manhattan Murder Mystery" e traz pérolas como "Mighty Afrodite", "Everyone Says I Love You", "Desconstructing Harry", "Celebrity" e "Sweet and Lowdown". Parece que a separação de Mia fez bem para ele.

Talvez com a parceria que Allen fez com a Dreamworks a partir de "Small Time Crooks" esteja surgindo uma nova fase pra ele. Talvez mais rentável financeiramente.

A ÚLTIMA NOITE DE BORIS GRUCHENKO ( Love and Death)

Esse filme é bem melhor que "Sleepers" e se enquadra também na fase Diane Keaton. É impressionante como nos anos 70, a atriz estava radiante de beleza. Ela veio enfeiar um pouco a partir de "Annie Hall". Nesse filme, Allen faz o papel de um russo que tem de lutar como soldado contra as forças de Napoleão. Engraçadas as cenas em que Allen faz o treinamento, mas parece uma reedição da cena de "Bananas". Outra tirada boa: depois de fazer sexo com uma condessa, ela diz pra ele: "Você é ótimo na cama". Ele diz: "É que eu pratico muito sozinho". Hehehehe.

SONHOS ERÓTICOS DE UMA NOITE DE VERÃO ( A Midsummer Night's Sex Comedy )

O melhor dos três. Da fase Mia Farrow(anos 80). Como ele tinha acabado de se casar com ela, o clima estava bem leve. Esse filme traz elementos fantásticos que mais tarde ele iria usar em "The Purple Rose of Cairo" e "Alice". Só que melhor usado nesse filme. "Midsummer..." é mais um belo exemplar da fantástica habilidade de Allen em tecer cirandas amorosas. Fulano gosta de Cicrano, que gosta de Beltrano etc. Quase tão bom quanto "Hannah and Her Sisters".

16/07/2001


AMORES BRUTOS (Amores Perros)


Mesmo estando com um baita dum sono, vou ver se consigo escrever sobre a maravilha que é "Amores Brutos", o filme de González Iñarritu (É. O nome é meio difícil de decorar, mas se a gente se acostumou com o nome do Schwazenegger, porque não com o nome desse nosso hermano latino-americano?)

Logo no começo do filme vemos uma perseguição de carros rapidinha e bem confusa, cheia de sangue e cortes rápidos, lembrando muito o Tarantino de "Reservoir Dogs" e "Pulp Fiction". A diferença é que dessa vez a fotografia e o "figurino" entregam que aquilo é uma produção do terceiro mundo (ainda chamam assim ou devo dizer "países em desenvolvimento"?). Outra coisa que lembra Tarantino é a divisão em três atos da história, ligando alguns personagens que de comum só têm o acidente de automóvel mostrado no início do filme. Logo, são três histórias diferentes costuradas de maneira criativa.

A primeira história mostra o drama de Octavio, o sujeito apaixonado pela cunhada e que quer levá-la embora das garras do marido, o seu irmão, que é balconista de supermercado, e que nas horas vagas, é assaltante. É. Em países do terceiro mundo as pessoas precisam ter dois "empregos" pra poder se manter. Octavio, começa, então, a ganhar dinheiro botando o seu cachorro pra brigar. As sequencias de briga de cachorro (os perros do título original) são bem violentas, apesar de econômicas. A primeira história é a mais sangreta das três.Na segunda história vemos o drama de uma modelo, logo após o acidente de carro. Contar mais do que acontece nessa história iria estragar a surpresa. Na terceira, acompanhamos a intimidade de um mendigo/matador profissional e que pretende alcançar no fim de sua vida uma redenção.

As três histórias têm em comum: paixão, sangue, tragédia e cachorros. E se alguém começar a comparar o diretor com o Guy Ritche, que copia o Tarantino e não tem um décimo do talento do americano, devo dizer que, apesar da semelhança de estilo, Iñarritu tem estilo próprio. Bem, pelo menos eu arrisco em dizer, ainda sem ter visto outra de suas obras. (As semelhanças com o americano são só essas que eu mencionei.)

A propósito, esse é o primeiro filme do mexicano? Se não, gostaria muito de ver os anteriores.

É isso. "Amores Perros" é mesmo tudo isso que dizem e, pra mim, bem superior a um certo filme de kung fu que tomou o seu Oscar de filme estrangeiro.

09/07/2001


PRÍNCIPE DAS SOMBRAS (Prince of Darkness)

Os filmes de John Carpenter sempre são agráveis de se ver e todos tem um começo intrigante, que deixa a gente interessado em ficar vendo até o final. Até os filmes mais fracos dele são assim. Eu incluiria esse filme nessa categoria. "Principe das Sombras" é um filme menor de Carpenter, mas é bem charmoso. Tem a participação especial de Alice Cooper e uma história de apocalipse que dá de 10 em bobagens asquerosas como "Fim dos Dias" (um dos piores filmes que eu já vi na vida). Nesse filme Satanás está preso, esperando para o momento exato de dominar o mundo. De repente, um filme que mostra teorias físicas e muita filosofia no começo, vira um filme de zumbi no final. Bacana, mas modesto demais. Até lembra um pouco "A noite dos mortos vivos", de Romero.





A METADE NEGRA (The Dark Half)

"A metade negra", de George Romero também não é o melhor do cineasta mas não decepciona, chegando até a surpreender. Bem, a surpresa vem graças a Stephen King, autor do livro que deu origem ao filme. O interessante é que o que promete de início ser uma história meio Dr. Jekil e Mr Hide, tratando de esquizofrenia, se torna algo mais. Nesse filme, a metade negra, o lado mal do personagem interpretado por Timothy Hutton se materializa e vem perturbar a sua vida e matar aqueles que ameaçam a sua vida. Parece algo bem absurdo e acho que Romero não conseguiu a tarefa de adaptar com sucesso o livro, ainda que eu não tenha lido este livro. Digo isso por que Stephen King é mestre em trazer verossimilhança a coisas absurdas.(Lembremos de Christine, o carro assassino e Pet Semetary. ) Mas mesmo assim, o filme tem cenas belíssimas como o ataque e a revoada de pardais. Pensando bem, o filme é bem legal.

TRAUMA

Esse me deixou chapado. E olha que o Thomaz disse que é um filme menor de Dario Argento. Puxa, preciso conhecer as outras obras-primas desse italiano. A filha de Dario, Asia Argento, é uma gracinha. Agora entendo a fixação de Reichenbach nessa menina. Ela encanta e ainda por cima é boa atriz. No filme, ela é filha de uma médium e que é anoréxica, tendo que ficar presa numa clínica, onde vive fugindo. Numa de suas fugas, encontra um rapaz que a abriga em sua casa. Paralelamente um maníaco que decepa as cabeças aterroriza a cidade. A decepação de cabeças é o grande barato do filme e onde a genialidade de Argento é mais latente. As cenas da cabeças falando ou gritando depois de decepadas eu já tinha visto naquele documentário do People and Arts, mas ver no filme é outra coisa. Um filmaço.

04/06/2001

terça-feira, setembro 10


QUASE FAMOSOS (Almost Famous)


No sábado fui ver "Quase Famosos" e só não me decepcionei totalmente porque já tinha lido a resenha do Thomaz e estava preparado pra qualquer coisa. O filme é leve, bonitinho, mas talvez seja o esse o grande problema. Quando é que os diretores e os executivos de cinema vão entender a essência do rock n´roll e lançar um filme legal com esse tema? Alguns escapam (The Doors, Backbeat, Great Balls of Fire) mas a grande maioria não vale muita coisa.

Tá certo que as memórias do filme são do próprio Cameron Crowe e com certeza, deve-se respeitar aquelas memórias que a gente romantiza, que a gente guarda como sendo especiais. Com certeza, para Crowe aquele momento quando ele tinha 15 anos e foi chamado pra fazer uma matéria com uma de suas bandas preferidas e ainda ganhar dinheiro trabalhando para a Rolling Stone, é inegável que esse momento é especial. Só que isso tudo foi meio que desperdiçado com o roteiro fraquinho e a direção comportada. Além do mais, seria bem mais interessante se ele não tivesse que mascarar a banda e dizer logo qual banda foi a citada no filme. (Acho que foi o Led.) Mas a trilha vale muito e a presença de Kate Hudson, gatíssima, e Phillip Seymour Hoffman compensam os problemas. Aliás, Seymour Hoffman, colaborador assíduo dos filmes de Paul Thomas Anderson, brilha mais do que a própria filha de Goldie Hawn. Será que eu estou exagerando? Acho que ele só não brilha mais porque aparece pouco. Mas às vezes dá impressão que o principal objetivo do filme é mostrar a obsessão do garoto de quinze anos pela garotinha linda e gostosa de dezoito.

MALÈNA

Coincidentemente o filme que vi no dia seguinte, "Malèna", filme italiano do sempre competente Giuseppe Tornatore, também traz a história de um menino de quinze anos e a sua fixação pela beleza de uma mulher. Dessa vez, a diferença de idade é maior e o filme é mais substancial do que o americano. Malena é uma mulher linda e gostosa, vivida no filme por Monica Belucci, que mora em uma cidadezinha do interior da Italia nos tempos da 2a Guerra Mundial. Por causa de sua beleza, ela atrai tanto o desejo dos homens da cidade, quanto a inveja das mulheres. Depois que seu marido é dado como morto na guerra, ela é obrigada a se prostituir com os alemães para sobreviver. O filme tem um final trágico e uma cena que dói no coração só de pensar (não vão querer que eu diga, né?). Mas a parte leve se sobrepôe a tragédia por causa do ponto de vista da história: a do menino tarado por Malèna e que faz loucuras como roubar as roupas íntimas dela pra poder se inspirar na sessão diária de masturbação. É engraçado quando o pai dele acorda e vê ele dormindo com o lingerie de Malena em cima de seu rosto. Já viu como é o rebuliço. Família italiana é uma loucura ! A fotografia também é bem legal. Concorreu ao Oscar desse ano e o filme em si lembra o maior sucesso de Tornatore (Cinema Paradiso) por causa do garoto e do tom de flashback que permeia todo o filme. Talvez nem tudo esteja perdido para o cinema italiano.

SNATCH - PORCOS E DIAMANTES (Snatch)


Já "Snatch", o segundo filme de Guy Ritchie, tem uma trama meio confusa, muitos personagens, algumas cenas que parecem chupadas de "Os Bons Companheiros", de Scorsese e outras chupadas dos filmes de Tarantino. Talvez a influência de Tarantino seja bem mais explícita. Mas como alguém já tinha dito na lista Canibal, ele não tem nem um décimo do talento de Tarantino. (Fazer esse tipo de comparação com o Scorsese é até covardia.) Uma das melhores coisas do filme é a sequencia de abertura, de deixar vc empolgado com o rock n´roll fazendo uma zuada dos diabos fazendo parzinho com a violência do filme. Outra coisa muito boa é a participação de Brad Pitt. Cada vez gosto mais dele. Um sujeito que tem sabido escolher bons papéis e firmar a sua carreira, fazendo tanto papéis de galã quanto papéis mais sujos como o desse filme, por exemplo. Infelizmente é um desses filmes fáceis de esquecer. Mas talvez com uma nova revisão ele melhore, por causa das várias tramas paralelas e do monte de personagens.

28/05/2001




AÇÃO MUTANTE (Accion Mutante)

Vi ontem "Ação Mutante", de Alex De La Iglesias e apesar de achar o filme uma confusão dos diabos, no fim das contas gostei e me diverti bastante. No começo fica um pouco difícil por causa da estranheza mas depois que a gente pega o ritmo fica fácil de gostar. Na verdade, o filme cresce bastante a partir da segunda metade.

A história: um grupo de mutantes, desprezados pela sociedade por causa de seus defeitos físicos, se rebela e passa a cometer atos de terrorismo, na tentativa de destruir o sistema vigente que privilegia as pessoas perfeitas, sem defeito físico. A ação mutante, como é chamado o grupo é formado por aberrações como dois gêmeos siameses, um sujeito que não tem pernas(e se locomove sobre uma espécie de transporte que voa), cegos, surdos, entre outros.

O grande barato do filme é quando eles vão parar em outro planeta. Curiosamente, esse planeta não tem mulheres e quando a sequestrada é levada pra lá desperta só com sua presença a ejaculação de uns marmanjos que nunca tinha visto mulheres na vida, a não ser pelas inúmeras fitas pornô que a família colecionava. Outra sequencia muito engraçada é a de quando um dos gêmos siameses é obrigado a arrastar o seu irmão morto, mais parecendo um boneco, por tudo quanto é lado. Ou quando esse mesmo siamês paquera a moça enquanto o seu outro irmão está dormindo em seu ombro. Além de tudo isso, o filme ainda é um banquete de sangue que chega a lembrar Evil Dead.

24/05/2001


JUSTIÇA DAS RUAS (Under Oath)

Ontem assisti um filme que eu não dava nada por ele e até que eu achei bem legal. "Justiça das Ruas" parece ser uma produção para TV e mostra dois tiras que estão passando por uma crise financeira e que tentam ganhar dinheiro nas ruas tomando dinheiro dos traficantes. Planejam o negócio mas acontece no meio do caminho uma surpresa desagradável. Um dos "traficantes" morre com um tiro. Chegando a delegacia são chamados para um caso envolvendo justamente o sujeito que eles tinha matado, e que era na verdade um policial infiltrado. O filme segue trabalhando bem a crise de consciência que os dois atravessam, tendo passado de polícia para bandido e tendo que conviver com as consequencias que virão. Filme bacana. Segue a ficha técnica e resumo dado pela emissora (Record)

Justiça das Ruas
Under Oath

Quinta-feira, 17 de Maio às 22h30
Produção: 1996 (Columbia)
Direção: Dave Payne


Dois dos melhores policiais do departamento, acostumados a resolver os
casos a qualquer custo, resolvem burlar as regras e investigar por
conta própria um suspeito traficante de armas. Na ação acabam matando
por acidente um policial à paisana. Por ironia, ambos são designados
para junto ao colega do policial morto investigar o caso. Agora eles
precisam desesperadamente encobrir as pistas que podem levar a eles.
85min

18/05/2001

Home
Envie-me um e-mail