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sexta-feira, setembro 27
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4:17 p.m.
by Ailton Monteiro
Esse filme não é lá grande coisa. Ele é uma mistura dos dois filmes do picareta Dominic Sena (60 SEGUNDOS e A SENHA). Do primeiro tem a fixação por carros, do segundo ele pegou a trama do policial que se infiltra numa comunidade para descobrir o criminoso. Acho que ele é bem superior a 60 SEGUNDOS, mas isso não é muito mérito. Mas ele fica devendo ao outro filme de Sena (A SENHA). O que tem de melhor em "The Fast and the Furious" é a brasileira Jordana Brewster, que é uma gracinha. Tem algumas cenas eletrizantes de ação envolvendo carros, mas nada que a série Máquina Mortífera já não tenha feito melhor. Em vídeo as coisas foram bem melhores: EXISTENZ O último petardo do Cronenberg é uma maravilha. Estão lá o gosto por coisas gosmentas, a fuga da realidade e esquisitices afins. Nesse filme, Jeniffer Jason Lee faz o papel de uma criadora de jogos virtuais, profissão que num futuro próximo é tão glamorosa quanto ser estrela de cinema em Hollywood. O jogo é acessado através de uma bio-porta, um furinho que eles fazem nas costas para ligar diretamente à medula óssea e fazer com que o jogador entre em outro universo, sendo capaz de sentir o cheiro, o tato e qualquer outro dos sentidos nesse mundo. O detalhe é que essa bio-porta parece com um ânus e sempre que um personagem da história mete o dedo ou a língua (!!!) no buraquinho, o filme se apresenta em alto grau de ebulição. Pena que a cena de sexo de JJL com Jude Law foi tão pequena e tímida, em se comparando com as cenas de CRASH, o filme anterior de Cronenberg. Aliás a participação de Jude Law é ótima, mais uma vez provando a excelência desse ator, que já tinha se revelado em O TALENTOSO RIPLEY e esse ano no excepcional A.I.. O filme também lembra um pouco os pesadelos dos filmes de Freddie Krueger quando os personagens se vêem perdidos, sem saber se aquilo onde eles estão é realidade ou é ficção. Excelente, e um pecado não ter passado no cinema. COMO ENLOUQUECER SEU CHEFE (Office Space) Esse filme de Mike Judge, o criador de Beavis e Butthead, é muito divertido, principalmente pra quem trabalha em escritório e é obrigado a lidar com coisas como máquinas com defeito, um monte de chefes te azucrinando e colegas de trabalho pirados. Nesse filme, Ron Livingston (quem?) é um sujeito que odeia o seu trabalho. Segundo ele, desde que ele começou a trabalhar, cada dia de sua vida tem sido pior que o anterior. Ele, depois de uma quase hipnose, tem um insight e resolve agir de maneira diferente. Só vai trabalhar quando tem vontade, só faz o que quer e por ironia do destino, ainda recebe uma promoção. Bem divertido e tem uma participação da sempre simpática Jennifer Aniston. DOIS CÓRREGOS Mais um belo trabalho do grande Carlão Reichenbach, um dos meus cineastas brasileiros preferidos, junto com os três walters (Walter Hugo Khouri, Walter Lima Júnior e Walter Sales) e Hector Babenco. Esse é um filme "feminino" de Reichenbach, fazendo oposição a ALMA CORSÁRIA, todo do ponto de vista masculino. Nesse filme, Beth Goulart retorna depois de muito tempo a uma fazenda na cidade de Dois Córregos e relembra alguns dias inesquecíveis que passou naquele lugar. É então que Reichenbach nos leva na sua máquina do tempo para a década de 60, durante o terrível regime militar. Mas ao contrário do que a gente possa prever, o filme não mostra nenhuma violência física (a não ser por uma cena discreta envolvendo a personagem de Ingra Liberato) ou atos por parte dos militares. O filme é bem intimista e tem um ritmo lento e gostoso, pontuado por um piano presente em quase todo o filme. A música tema é de Ivan Lins. Nem a minha cisma com o músico atrapalhou a apreciação do filme. Muito pelo contrário: pela primeira vez curti a música do sujeito. Ele bem que podia ficar fazendo trilhas pra filmes. Por falar em sujeito que eu não ia muito com a cara, o filme traz num dos principais papéis Carlos Alberto Ricelli, ator que nunca despertou minha simpatia. Tentei deixar essa minha cisma pra lá, e vi que ela não tinha razão de ser. Ele é um grande ator, nunca exagera e é muito convincente. Mas o que torna DOIS CÓRREGOS um programão são mesmo as imagens. Essas ficam grudadas na memória feito tatuagem no corpo. JAMES DEAN Pra completar a boa safra de filmes na telinha, essa produção da TNT tornou a noite de domingo mais agradável. Quem não viu, ainda há tempo. A TNT esse mês tem vários horários e vale a pena conferir. A direção é de Mark Rydel, que tem no currículo aquele filme-fracasso com as estrelas Sharon Stone e Richard Gere chamado INTERSECTION. O grande barato de JAMES DEAN são as curiosidades que a gente fica sabendo a respeito do astro, como por exemplo, sua amizade com Martin Landau, o seu relacionamento com Jack Warner e com os três diretores de seus únicos filmes, além de detalhes da sua vida familiar, como a morte precoce da mãe e o descaso do pai. Uma outra grande qualidade do filme é a de não cansar, de tornar o programa confortável e envolvente. E o ator que faz James Dean parece o próprio. Muito bom. Especialmente pra quem já viu os três filmes do ator (VIDAS AMARGAS, JUVENTUDE TRANSVIADA e ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE). 08/10/2001
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1:13 p.m.
by Ailton Monteiro
No fim de semana, assistindo ZABRISKIE POINT de Michelangelo Antonioni, fiquei pensando no quanto o fenômeno da contracultura, que se deu em escala maior na música, influenciou toda uma geração. ZABRISKIE POINT foi realizado em 1970, uma data central daquele período louco que aconteceu de 1965 a 1975. Nesse período, os Beatles e os Beach Boys enlouqueceram, apareceram The Doors, Led Zeppelin, o rock psicodélico, o rock progressivo. Também nessa época surgiu o papa do pop Andy Warhol e o Velvet Underground, trazendo consigo uma ode à heroína. Abrir as portas da percepção através das drogas era algo bastante comum. O cinema também assimilou tudo isso muito bem. Mesmo filmes que não se utilizavam diretamente do assunto "drogas" acabaram usando elementos viajantes e que simulavam o efeito do ácido. É só lembrar de 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO do Kubrick, com aquela cena final viajante pra saber. Nessa época até o nosso José Mojica também se utilizava desses elementos viajantes. O filme que melhor exemplifica isso é O DESPERTAR DA BESTA. Bem, mas no caso de Mojica, o personagem estava mesmo sob o efeito de ácido. ZABRISKIE POINT não mostra jovens tomando ácido ou coisa parecida. Mostra jovens engajados politicamente e perseguidos pela polícia. Mas ainda assim tem um visual todo inspirado em viagens de ácido. Principalmente o final. Eu, como sou mais familiarizado com a geração 80/90, apesar de simpatizar com todos esses trejeitos desse período, ainda fico achando tudo meio estranho. Alguém que assistiu o filme do Antonioni pode me explicar o que significa aquele final?? Aquela explosão aconteceu de verdade? Ou foi tudo viagem da cabeça da garota? Ou é pra ser um final em aberto como 2001? ZABRISKIE POINT foi o primeiro filme de Antonioni filmado nos Estados Unidos e tem um belo casal de protagonistas. A garota do filme é linda (Daria Halprin) e o Reichenbach tem razão quando chama o Antonioni de velho tarado de bom gosto, lembrando da Sophie Marceau em ALÉM DAS NUVENS. Infelizmente a versão dublada e com intervalos da TNT ainda foi picotada na hora da cena de sexo no deserto. É de deixar a gente indignado. A cena mais bonita do filme, cortada. Assholes!!! O filme foi proibido aqui no Brasil durante um bom tempo, já que os jovens do filme eram politizados e a maioria era marxista. Um belo retrato da época, feito por quem tem uma extrema sensibilidade no olhar. 03/10/2001
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1:10 p.m.
by Ailton Monteiro
NOVE RAINHAS (Nueve Reinas) Fiquei decepcionado. Por que tanto alarde em cima de um filme tão comum? Tá certo que ele é bem dirigido, não é cansativo, mas também não é grande coisa. É um filme sobre trapaceiros, mas esse tipo de filme Hollywood faz todo dia. E com resultados iguais ou melhores. Lembram de OS IMORAIS de Stephen Frears? Ou OS SACANAS, de Frank Oz?? (Por falar em Frank Oz, sabiam que é ele quem dirige o thriller THE SCORE com o DeNiro e o Edward Norton? Pois é, um especialista em comédias fazendo um filme de ação!! Vamos ver no que vai dar.) VOLTA POR CIMA (Get over it) Filme que vale principalmente pra ver a gracinha da Kirsten Dunst. Não apresenta nada de novo, mas é uma comédia adolescente acima da média. É bem divertida. O tema é meio batido: o da vingança de um nerd. Legal também as citações a SONHOS DE UMA NOITE DE VERÃO de Shakespeare. PECADO ORIGINAL (Original Sin) Esse superou minhas expectativas. É um filme que cresce lá pelo meio. Pena que naufrague completamente no final. Mas pra quem estava esperando uma bomba completa, ver que o filme é meia-bomba já vale. E pra quem ficou querendo ver os peitos da Angelina Jolie no horroroso TOMB RAIDER, aí está a oportunidade. Para as mulheres, tem a bunda do Bandeiras. Hehehe. Tirando o final horrível, é um filme bem legal. 01/10/2001 terça-feira, setembro 24
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1:54 p.m.
by Ailton Monteiro
O INFERNO É PARA OS HERÓIS (Hell is for Heroes) Ontem terminei de ver o filme do Don Siegel que eu tinha gravado no domingo e eu estou simplesmente encantado!! Que filme!! Só agora eu entendo a importância que Clint Eastwood deu a ele quando fez uma dedicatória em OS IMPERDOÁVEIS a esse mestre. Os filmes que eu conhecia dele eram apenas os filmes da série "Dirty Harry" e a obra-prima VAMPIROS DE ALMAS(Invasion of the Body Snatchers). O INFERNO É PARA OS HERÓIS(Hell Is For Heroes) é um filme de guerra. Ele entraria com certeza em um top 10 de filmes de Guerra feito por mim. O final, então, é desconcertante. Sabe aqueles filmes que tem um final sem cara de final? Que não seguem uma estrutura clássica (introdução, desenvolvimento, ápice e epílogo)? Esse é um desses filmes. Mas antes de falar do final...(pensando bem, melhor não falar do final), deixem eu contar um pouco do que é essa maravilha. O elenco eu não conheço, a não ser o protagonista, um Steve McQueen em estado de graça. Ele faz o papel de John Reese, um soldado indisciplinado que já tinha sido expulso de um outro destacamento. O cenário é a Segunda Guerra Mundial e o objetivo daquele grupo é lutar contra os alemães nas trincheiras. Uma das coisas que eu estranhei no filme foi a falta de um plot. Assim como soldados que são jogados numa guerra cruel sem saber o que lhes espera, assim os personagens do filme são jogados num ambiente, numa situação difícil, e é como se eles ganhassem vida própria. A sensação que eu tive é a de que Siegel criou os personagens, colocou-os numa guerra e os deixou por lá, pra ver o que acontece. Acredito que se o filme tivesse um plot, uma trama, os personagens talvez fosse mais irreais, já que aí estaríamos pensando nas qualidades do roteirista do filme. A guerra demora um tempão pra começar e metade do filme serve pra apresentar alguns dos personagens, ainda que de maneira pouco aprofundada (o próprio personagem de McQueen mostra-se um enigma) e mostrar os preparativos para a batalha nas trincheiras. A partir da segunda metade do filme, começa a saraivada de balas, bombas, canhões, armas que lançam fogo e o pior: os campos minados. (A sequencia em que três soldados atravessam um campo minado é uma das melhores do filme.) Um detalhe que me chamou a atenção foi que em algumas cenas Siegel enxertou algumas cenas reais de guerra. Lendo um texto sobre o cinema de Samuel Fuller, vi que uma das grandes temáticas recorrentes em seus filmes é o sacrifício. Se eu não soubesse que esse filme era de Siegel eu até arriscaria dizer que era de Fuller. Mas paremos por aqui com a comparação que eu posso estar falando bobagem. Agora, uma pergunta para os amigos da lista: qual o melhor filme de Don Siegel? Qual a sua obra-prima definitiva? É mesmo o filme que comentei? Sei que esse filme e VAMPIROS DE ALMAS ficariam pau a pau em primeiro lugar, falando dos que eu tive a oportunidade de ver. 28/09/2001
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