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segunda-feira, setembro 30
Posted
4:11 p.m.
by Ailton Monteiro
CEARÁ MUSIC 2001- SEXTA Ontem fui para a segunda noite do Ceará Music, um evento especial por essas bandas. Não é sempre que a gente tem oportunidade de ver um monte de bandas de pop-rock juntas numa organização de respeito e num lugar belíssimo. Cheguei lá por volta das 7 da noite e depois de me perder de algumas amigos fui ver o primeiro show do palco grande da noite. No palco menor já havia rolado shows das bandas Coda (especializada em cover da Legião Urbana) e Fator RH (cover de rock dos anos 80, a maioria do Barão/Cazuza), as duas daqui de Fortaleza. Como já conheço essas bandas não fiquei tão entusiasmado pra vê-las novamente. Além do mais, a gente tem que se preparar para uma maratona que vai durar até as 4 da manhã. Logo, não sei se é vantagem chegar muito cedo lá. A primeira banda do palco grande foi a Tribo de Jah. Como reggae não é muito a minha praia, fiquei apreciando de longe, ao mesmo tempo que fiquei admirado em ter visto pessoas cheirando cocaína em público. O povo está cada vez mais ousado. Mas foi bom a polícia ou a segurança não intervir no uso de drogas, pois isso iria perturbar a paz do local. Soube que também na quinta não houve nenhuma briga. Legal. Bem, o show dos ceguinhos regueiros terminou com a bela cover de Bob Marley "One Love". Terminado esse show, corri para o outro palco, onde estava acontecendo o show da Nazão Zumbi, que não é a mesma desde a morte de Chico Science mas que continua firme e forte em seus trabalhos, ainda que mais modestos. O show deles foi bem legal, mas a melhor parte mesmo é quando ele tocava as canções da época do Chico ("Banditismo questão de classe", "Rios, pontes e overdrives", "A Cidade", "Macô" e outras). Próximo show do palco grande: Gabriel, o Pensador. O sujeito depois que fundiu rap com rock, tornou os seus shows incendiários. Tão incendiários, que eu fui obrigado a me retirar de tão quente que estava com o pula-pula violente e o acúmulo de gente, tentando quebrar as leis da física, que diz que dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar ao mesmo tempo. Hehehe. Depois de ter perdido metade de minha cerveja pulando feito doido ao som de "Até Quando", dei um tempo pra mais longe do palco e em seguida, parada para o lanche. Com refrigerante e cerveja a 2 reais, e comida cara, fica difícil encher a barriga, mas deu pra dar um reforçada e conhecer a tenda eletro, local onde toca música eletrônica. . De quebra ainda tinham performances de homens e mulheres que cospem fogo ou fazem acrobacias com fogo. Bacana. Mas o som bate-estaca não fez muito a minha cabeça, já que não tinha distribuição de extasy pra gente curtir melhor aquele ambiente. Hehehe. Na volta para o grande palco, show dos Engenheiros do Hawaii. No caminho, ia fazendo piada, falando com minha companheira que esse negócio de engenheiro montar banda de rock não podia dar certo. Nunca fui muito fã dos gaúchos, mas o show superou minhas expectativas e ele cantou um monte de música legal seguida ("Terra de Gigantes", "Infinita Highway", "Refrão de Bolero" e até um canção do conterrâneo Fagner). Diante de tudo isso, até deu pra aguentar as bobagens de "O Papa É Pop" e "Era um Garoto que como eu...". Terminou o show e como encontrei os amigos que tinha perdido, fomos lá pra frente pois coisa especial estava para pintar. O próximo show do palco grande seria a reunião de Frejat, Dado Vila-Lobos, Bi Ribeiro e João Barone, ícones de 3 das maiores bandas do rock brasileiro dos 80's. Começou o show, a visão do espetáculo dessa vez estava bem melhor. Pena que a gente teve que aturar as canções do disco solo do Frejat. Um monte de gente se sentou. Outros dormiram. Finalmente, ele anunciou e chamou para o palco os tão aguardados cacos da Legião e do Paralamas. Fiquei emocionado ao ver Dado, um pedaço da maior banda de rock do Brasil estar lá, tocando clássicos da Legião, do Barão, do Paralamas e até dos Titãs. Primeira música: "Que País É Esse?", cantada pelo Dado! Ele estava muito inseguro e cantou bem baixinho. No refrão, Frejat ajudava a manter o pique. Depois outros clássicos: Frejat cantou "Meu Erro", do Paralamas e "Bete Balanço" do Barão. Não me lembro o que se seguiu em seguida, mas depois pudemos conferir Dado no vocal de novo. Dessa vez com "Será?" da Legião. O sujeito errou feio nos vocais e eu percebi o quanto ele estava nervoso. Errou a letra e tudo, mas foi legal. Todos sentiam uma especial consideração pelo sujeito. Sempre que um cara aparece sempre meio orgulhoso e de repente comete esses erros, ele ganha a minha simpatia. (Acho que é por isso que eu gosto do Dinho Ouro-Preto. Hoje em dia ele é bem humilde.) Pra terminar, Frejat cantou "Lugar Nenhum", dos Titãs, e eu presenciei algo inédito: no fim da música Dado pula e joga a guitarra pra cima!!! Pode não parecer grande coisa, mas pra um cara que sempre aparecia apático nos shows da Legião, gostei de ver aquilo. Talvez fosse o efeito da música dos Titãs, sei lá. O cara era fã de punk, né?? Senti que aquela era uma noite especial, mas ao mesmo tempo pensei no quanto eles já sofreram. O que estava ali na nossa frente eram cacos de grandes bandas. Renato Russo e Cazuza não estão mais entre nós e Herbert Vianna, infelizmente, parece que está aposentado da música por causa do acidente. É, o tempo não pára, mesmo. Terminado o show, ficamos no aguardo sem arredar o pé de lá para conferir a Cássia Elller. (Enquanto isso no palco pequeno acontecia o show de uma sub-banda - os Kmaradas, de São Paulo. ). Entrou o cara, quer dizer, a moça. Começou com a mesma canção em francês da Edith Piaf que abre o disco Acústico. Belíssima na voz dela. Depois ela manda "Malandragem", na versão rapidinha do disco novo. Ao mesmo tempo costuma fazer coisas como botar a mão no saco (que saco??), cuspir, fazer caretas com a língua ou coisa do tipo. Coisas que eu acho bem legal. (hehehe). O show foi seguindo com canções como "1º de Julho" e "Por Enquanto" do Renato Russo, "Garotas Extraordinárias", do Caetano Veloso, "Vá Morar com o Diabo" (não sei o autor). De repente, mais uma surpresa: ela chama Nando Reis para acompanhá-la na canção "O Segundo Sol", de autoria do Nando. Ele entrou bem simpático, disse que tinha acabado de chegar e que estava adorando o festival. Foi muuuuito legal a parceria deles. Depois o show segue com um aumento considerável no volume das caixas de som, que me empurraram pra mais longe do palco. No final do show, ela manda "Sgt Pepper's Lonely Heart Club Band" dos Beatles (ótima), "Polly", do Nirvana (melhor ainda) e fecha com "Bichos Escrotos" dos Titãs. Acharia melhor se ela tivesse parado com a canção do Nirvana. Seria melhor para coroar o show. Depois o show seguinte foi do "Nenhum de Nós", mas o cansaço não me deixou esperar pra conferir a performance dos rapazes. Mas como eu não morro de amores por eles, não liguei muito. Minha irmã disse que o show foi ótimo. Vai ver que foi. É isso. Hoje tem mais, Até mais tarde, Ailton Monteiro (que tá dando um tempinho no cinema, mas só por enquanto...) CEARÁ MUSIC 2001 - SÁBADO Hello, Ontem foi a terceira noite do evento. Depois de esquecer o ingresso em casa e ter que voltar pra pegar, entrei lá por volta das 8 da noite. Tinha perdido o show do Catedral, a ex-banda gospel com a voz idêntica a do Renato Russo,cortesia do vocalista Kim. Bem, os amigos que encontrei lá me disseram que o show não tinha sido grande coisa. Chegando lá, começa o show do Bikini Cavadão. Curiosamente, esse foi um dos grandes shows da noite. Eu nunca gostei muito deles. Pra mim, eles são representativos de alguns hits dos anos 80, e só. Mas ontem eles ganharam o respeito de quem estava lá. Primeiro, eles abriram o show com "Estado Violência" dos Titãs, numa versão matadora (!!), seguida de "Toda Forma de Poder"(Engenheiros) e "Angra dos Reis" (Legião). Depois o vocalista Bruno pára um pouquinho o show e fala que eles estão com um disco de homenagem aos sucessos dos anos 80. Ele falou que é de uma geração que cantava com a cabeça, com a alma, não cantava com a bunda. Ele segue, então, o seu repertório de crooner, até entrar em seus próprios hits ("Tédio", "Timidez", "Vento Ventania"). Um show redondinho. E até eu que não gosto muito deles, curti o show. Ah, esqueci de dizer: ele fez todo mundo pular com "Song 2", do Blur. Parada para um desfile de moda e em seguida, Fernanda Abreu. O show começa, mas eu não fiquei empolgado. Acho que ela é carioca demais pra mim. ( "Sou carioca, porra"). Grande bosta. Hora de comer. Fui encarar uma pizza hut de 5 pilas. Um assalto. E o pior é que a pizza era ruim. Too bad. Voltamos para o show dos Titãs. Estava curioso pra ver eles com repertório inédito e sem Marcelo Fromer no palco. Eles começam o show com "Vamos ao Trabalho", faixa de abertura do novo disco(A melhor banda de todos os tempos da última semana). É uma boa música pra abrir um show, vibrante nos vocais de Paulo Miklos, mas ao mesmo tempo, a palavra "trabalho" dá um impressão de que eles estão fazendo apenas trabalho, para o sustento do leite das crianças, sabe? Não é mais por diversão. Depois aparecem hits do passado ("Polícia", "Lugar Nenhum") mas sem o mesmo pique dos bons tempos. Tive a impressão que todo mundo está cansado dessas músicas, principalmente eles. Depois Nando Reis toma o microfone e fala algumas belas palavras sobre a vida e sobre a morte de Fromer. Todos aplaudem e sentem com eles a falta do colega. Em seguida, ele manda um canção do disco novo dedicada ao filho dele ("O Mundo Ë Bão, Sebastião"), uma canção bem Nando Reis, quase nada a ver com Titãs. Segue com "Os cegos do Castelo". Sergio Brito canta "Nem cinco minutos" do disco Acústico, uma canção fraquinha e sempre que eu ouço tenho a impressão que tem algo de errado com ela. E assim o show prossegue com "Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas", uma bela música do novo disco chamada "Epitáfio", a chata "O Pulso" e termina com "Flores". Outra impressão: os Titãs não precisam mais ficar juntos. Tem muita gente talentosa lá e podem ser bem sucedidos na carreira solo. Nando Reis tem dois ótimos discos solo no currículo, Paulo Miklos também, Sérgio Brito e Branco Mello fizeram um discaço numa banda chamada Kleiderman. Logo, pra que forçar a barra?? Hora de descansar. O próximo show seria do Tihuana, mais uma dessas bandinhas sem conteúdo que assolam os tempos atuais. Fomos descansar lá na Tenda Mística, sentir o cheiro do incenso e deitar nos tapetes. Estava tudo bem, até que um chato vem nos dizer que estava fechando a tenda. De volta para o grande palco conferir o final do show do Tihuana. Vi que eles estavam mandando umas guitarras pesadas bem legal. Percebi uma porradaria de primeira. Não entendi nada da letra, mas gostei do som. Eles tocam "Eu Quero Ver o Oco" dos Raimundos, outra porrada. Depois tocaram "Filha da..Pula!", que funciona bem em shows. Terminou o show deles com outra porrada que eu não conheço mas gostei, ainda que o meu lado racional fique o tempo todo criticando a falta de conteúdo nas letras. Mas com certeza foi o show que mais levantou o povo do chão. Terminado o show deles, hora de ir lá pra frente pra conferir uma de minhas bandas preferidas - o Pato Fu. Entra John fazendo ruídos estranhos na guitarra. Esses ruídos duram uns dois minutos e ele fala que é pra gente meditar. Puxa!! Meditar com uma zoada dessas é ruim, hein? Depois, mais ruído, mas aí já é o sintetizador puxado pela guitarra pesada da primeira canção do álbum Ruido Rosa, chamada "Eu". O povo já cansado ainda vibra com a música. Depois eles mandam a cover dos Mutantes "Ando Meio Desligado". Fernandinha Takai pára um pouquinho o show pra fazer piadinhas sobre o pessoal ainda estar lá, que ela achava que ia subir ao palco só pra fechar os portões e agradece gentilmente as pessoas estarem lá ainda. O show segue com outras pérolas como "Sobre o Tempo", "Ninguém" "Canção pra você viver mais", "Deus", "Capetão 66.6", "Menti pra você, mas foi sem querer". O som estava impecável e a performance deles é do caralho. Pena que o show foi muito pequeno e não foi tão bom quanto o que eu vi no Dragão do Mar, onde eu pude me deliciar com maravilhas como "Pinga", "Ring My Bell", "Por Que será?", "Imperfeito" e "Qualquer Bobagem", canções que, infelizmente, ficaram de fora do show de ontem. Uma pena, mas ainda assim, o show da noite. Hora de ir pra casa, pois o dia já está amanhecendo. 16/10/2001
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